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Delegacia
interditada, efetivo da policia civil insuficiente para o atendimento
à comunidade, carros comuns locados ou viaturas pertencentes a
outros municípios à serviço da polícia militar, assaltos à mão
armada em estabelecimentos comerciais. Essa é a situação caótica
em que se encontra a pequena cidade de Itambé, situada na região
sudoeste da Bahia.
Em
2009, acatando um pedido do Ministério Público, manifestado por
meio de uma ação civil pública, a Justiça determinou a imediata
interdição da delegacia de policia de Itambé. No documento, o
promotor do município, Dr. Antônio José Gomes Francisco Júnior
relatou que o prédio não tinha condições alguma para custodiar
presos, realizar atividades típicas de investigação, nem sequer
atender a comunidade itambeense.
De
acordo com o promotor, a medida tomada na época foi extrema e
cautelosa, já que em um determinado momento a estrutura física da
delegacia começou a dar sinais de que iria desabar. “Quando vimos
que essa estrutura poderia causar uma tragédia dentro da delegacia,
nós fizemos um estudo apurado, solicitamos pericias de engenheiros.
Vimos que não havia a menor condição de permanecer o funcionamento
da delegacia, sob pena de colocarmos em risco a vida das pessoas que
se encontravam principalmente nas celas”, afirmou.
A
realidade dois anos depois é praticamente a mesma. A Secretaria de
Segurança Pública da Bahia, responsável pelas delegacias, não
realizou qualquer tipo de intervenção no local. A carceragem
permanece interditada. Os presos foram e continuam sendo mandados
para o Complexo Policial de Itapetinga, cuja superlotação tem
provocado fugas em massa, a exemplo do que aconteceu no dia 09 de
março. As grades das celas estão corroídas pela ferrugem. Durante
o período chuvoso, os alojamentos dos funcionários, construídos
juntamente com outros dois anexos através de um convênio firmado
entre o governo do estado e a prefeitura em 2002, estão impróprios
para uso. A sala, destinada à comunicação, virou um deposito de
lixo e entulho.
Atualmente,
a delegacia está aberta apenas para o registro de boletim de
ocorrências e investigações, atividades desempenhadas, devido à
precariedade, a custa de muita força de vontade. Um funcionário,
que não quis se identificar, conta que não há meios disponíveis
para a realização de um bom trabalho. Ele diz que falta armamento e
aparato tecnológico para uso do serviço de investigação.
Falta
também recursos humanos. Dois policiais civis e dois escrivães
compõem a equipe do delegado Dr. Darcy Cardoso, que além de Itambé,
atua em Ribeirão do Largo. Dois carros, um Ford Ranger e uma
Chevrolet Blazer, enviada recentemente pelo estado, os auxiliam na
tentativa da resolução dos casos.
Dados
obtidos na própria delegacia mostram que no 1º semestre de 2011
foram registrados um total de 28 assaltos e 84 furtos, seja à casas
comerciais, veículos ou residências. Em se tratando de uma cidade
do porte de Itambé, os números apresentados são considerados
expressivos.
Em
janeiro deste ano uma ocorrência chamou a atenção dos populares,
por ter como vítima, justamente, uma empresa do governo da Bahia, a
Cesta do Povo foi assaltada. Na oportunidade, dois rapazes, um com
uma arma de fogo em punho e outro com uma faca, abordaram os
atendentes de caixa e causaram um pequeno tumulto. Foram levados
2.000 reais do estabelecimento e poucos trocados dos clientes. “Até
hoje não se tem notícia dos culpados”, informou Gilberto Leite,
gerente local da Cesta.
O
frágil sistema de segurança de Itambé faz com que cenas como essas
tendem a se tornar rotineiras. O abandono, a falta de investimentos,
verificados dentro da policia civil, é também encarado pela
militar, e percebidos pelos cidadãos. A viatura da PM, que deveria
estar nas ruas, nas buscas por delinquentes, há meses está
quebrada. Em substituição a ela, por mais de dois anos a prefeitura
locou um carro comum e colocou a disposição dos militares. Essa
medida paliativa chegou ao fim em maio de 2011, quando uma viatura
usada, pertencente ao município de Ribeirão do Largo, começou a
ajudar na realização do policiamento ostensivo em Itambé.
Enquanto
o caos na segurança pública em Itambé não é equacionado,
cidadãos de bem continuarão reféns da criminalidade crescente, que
há muito tempo deixou de ser um termo de uso frequente somente nos
grandes centros urbanos.
Por: Luiz Pedro Passos, Jobeslane Pires, Lilia Hendi e Gabriela Ribeiro.
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