quarta-feira, 13 de julho de 2011

Caos na Segurança Pública em Itambé  Ausência de investimentos e acúmulo de problemas no setor contribuem para que os cidadãos fiquem expostos à criminalidade



Delegacia interditada, efetivo da policia civil insuficiente para o atendimento à comunidade, carros comuns locados ou viaturas pertencentes a outros municípios à serviço da polícia militar, assaltos à mão armada em estabelecimentos comerciais. Essa é a situação caótica em que se encontra a pequena cidade de Itambé, situada na região sudoeste da Bahia.

Em 2009, acatando um pedido do Ministério Público, manifestado por meio de uma ação civil pública, a Justiça determinou a imediata interdição da delegacia de policia de Itambé. No documento, o promotor do município, Dr. Antônio José Gomes  Francisco Júnior relatou que o prédio não tinha condições alguma para custodiar presos, realizar atividades típicas de investigação, nem sequer atender a comunidade itambeense.

De acordo com o promotor, a medida tomada na época foi extrema e cautelosa, já que em um determinado momento a estrutura física da delegacia começou a dar sinais de que iria desabar. “Quando vimos que essa estrutura poderia causar uma tragédia dentro da delegacia, nós fizemos um estudo apurado, solicitamos pericias de engenheiros. Vimos que não havia a menor condição de permanecer o funcionamento da delegacia, sob pena de colocarmos em risco a vida das pessoas que se encontravam principalmente nas celas”, afirmou.

A realidade dois anos depois é praticamente a mesma. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia, responsável pelas delegacias, não realizou qualquer tipo de intervenção no local. A carceragem permanece interditada. Os presos foram e continuam sendo mandados para o Complexo Policial de Itapetinga, cuja superlotação tem provocado fugas em massa, a exemplo do que aconteceu no dia 09 de março. As grades das celas estão corroídas pela ferrugem. Durante o período chuvoso, os alojamentos dos funcionários, construídos juntamente com outros dois anexos através de um convênio firmado entre o governo do estado e a prefeitura em 2002, estão impróprios para uso. A sala, destinada à comunicação, virou um deposito de lixo e entulho.

Atualmente, a delegacia está aberta apenas para o registro de boletim de ocorrências e investigações, atividades desempenhadas, devido à precariedade, a custa de muita força de vontade. Um funcionário, que não quis se identificar, conta que não há meios disponíveis para a realização de um bom trabalho. Ele diz que falta armamento e aparato tecnológico para uso do serviço de investigação.

Falta também recursos humanos. Dois policiais civis e dois escrivães compõem a equipe do delegado Dr. Darcy Cardoso, que além de Itambé, atua em Ribeirão do Largo. Dois carros, um Ford Ranger e uma Chevrolet Blazer, enviada recentemente pelo estado, os auxiliam na tentativa da resolução dos casos.

Dados obtidos na própria delegacia mostram que no 1º semestre de 2011 foram registrados um total de 28 assaltos e 84 furtos, seja à casas comerciais, veículos ou residências. Em se tratando de uma cidade do porte de Itambé, os números apresentados são considerados expressivos.

Em janeiro deste ano uma ocorrência chamou a atenção dos populares, por ter como vítima, justamente, uma empresa do governo da Bahia, a Cesta do Povo foi assaltada. Na oportunidade, dois rapazes, um com uma arma de fogo em punho e outro com uma faca, abordaram os atendentes de caixa e causaram um pequeno tumulto. Foram levados 2.000 reais do estabelecimento e poucos trocados dos clientes. “Até hoje não se tem notícia dos culpados”, informou Gilberto Leite, gerente local da Cesta.

O frágil sistema de segurança de Itambé faz com que cenas como essas tendem a se tornar rotineiras. O abandono, a falta de investimentos, verificados dentro da policia civil, é também encarado pela militar, e percebidos pelos cidadãos. A viatura da PM, que deveria estar nas ruas, nas buscas por delinquentes, há meses está quebrada. Em substituição a ela, por mais de dois anos a prefeitura locou um carro comum e colocou a disposição dos militares. Essa medida paliativa chegou ao fim em maio de 2011, quando uma viatura usada, pertencente ao município de Ribeirão do Largo, começou a ajudar na realização do policiamento ostensivo em Itambé.

A Secretaria de Segurança Pública tem ciência de toda a situação que vem sendo enfrentada pelos itambeenses. Inúmeros ofícios já foram encaminhados à pasta através da Prefeitura Municipal, cobrando as devidas melhorias no setor. No mês passado, o prefeito de Itambé, Moacir Andrade, se reuniu com o secretário estadual de Segurança Pública, Maurício Barbosa, para reiterar os pleitos e apresentar as ações que efetivamente podem contribuir para amenizar o problema. Segundo o prefeito, como resultado do encontro, o secretário sinalizou que até o final do ano enviará uma viatura para a PM do município. Quanto a reforma da delegacia, de acordo com o gestor, o secretário comprometeu-se a avaliar o projeto anteriormente elaborado, e depois agendar o envio de um engenheiro que analisará a necessidade da reforma.

Enquanto o caos na segurança pública em Itambé não é equacionado, cidadãos de bem continuarão reféns da criminalidade crescente, que há muito tempo deixou de ser um termo de uso frequente somente nos grandes centros urbanos.


Por: Luiz Pedro Passos, Jobeslane Pires, Lilia Hendi e Gabriela Ribeiro.

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